VENDERAM-ME 250.000 CONTOS DE ACÇÕES
A mim como a tantos outros tudo fizeram para me
vender acções, em troca pediam uma letra (livrança) assinada em branco.
Telefonavam-me quase todos os dias para o
escritório e algumas vezes para o telemóvel.
Nunca me deixei encantar até que um dia disseram:
Temos muita consideração por alguns dos nossos
clientes e você é um deles, e para provar que irá fazer um belíssimo
investimento, vamos vender-lhe acções do nosso próprio banco pois sabemos e
conhecemos bem o seu potencial crescimento, sabemos o que estamos a dizer e a
fazer, e prova disso é que prescindimos de qualquer garantia, ou melhor, a
única garantia são as próprias acções que ficam à nossa guarda sem qualquer
encargo. E assim me ludibriaram.
Quando as acções atingiram ¼ do seu valor de
aquisição, bloquearam-me todas as contas, fizeram um arresto a todos os meus
bens (mesmo todos), levaram a minha empresa à lista negra do Banco de Portugal,
paralisando por completo toda a sua actividade, e já com o arresto decretado a
seu favor que lhes garantia o reembolso total, venderam todas as acções.
Ficaram com tudo:
- Os juros entretanto pagos
- As acções que me tinham vendido mas que
permaneceram sempre na sua posse
- Arresto de todos os bens que consegui ao longo
de toda a minha vida de trabalho com esforço imenso, pois sou uma pessoa
deficiente com 70% de incapacidade.
Mas a história não acaba aqui
Ao receber do Tribunal a providência cautelar do
arresto, e com todas as contas bloqueadas, logo tratei de arranjar um advogado
que por sua vez me exigiu 5.000 € para as primeiras impressões.
Seguiu-se uma reunião com representantes do
Banco, e o meu advogado logo me aconselhou a “não fazer barulho” e a “pagar aos
homens”, não havendo segundo ele “nada a fazer”. Mais parecia advogado do Banco
ou comprado por eles.
Daqui do meu computador, rodeado por este mundo
cruel eu grito bem alto:
SERÁ QUE NÃO
HÁ NINGUEM NESTE PAIS QUE NOS ACUDA?
a.vida.tambem.nos.inspira@lesadosbcp.com